Maio dá força à luta<br>por Abril e pelo futuro
Em quatro dezenas de localidades de todos os distritos e regiões autónomas, «o imenso mar de gente que neste 1.º de Maio saiu à rua para participar nos desfiles e manifestações organizados pela CGTP-IN mostra que existe e se desenvolve uma elevada consciência do momento grave que o País atravessa e da necessidade de prosseguir e intensificar a luta para acabar com a política de direita».
A apreciação, expressa na resolução do Conselho Nacional da CGTP-IN, reunido nesta segunda-feira, dia 5, retoma a mensagem transmitida nas grandiosas manifestações realizadas em Lisboa e no Porto, mas também nas outras manifestações e iniciativas desportivas e de convívio, que assinalaram o Dia Mundial dos Trabalhadores noutras capitais de distrito e localidades.
O órgão dirigente da central saudou «os trabalhadores, os jovens, os reformados e pensionistas, os desempregados, o povo português», que estiveram em festa e em luta, neste 1.º de Maio, «lembrando a memorável jornada de há 40 anos, quando o movimento operário e os trabalhadores, firmes e unidos em torno da sua central de classe, a Intersindical Nacional, criada em 1 de Outubro de 1970, ergueram e juntaram a sua voz ao povo nas ruas, marcando de forma indelével o curso da Revolução de Abril».
Por outro lado, reafirma-se na resolução o significado da acção de «todos aqueles que têm continuado as tradições do movimento sindical unitário e de classe e que, com grande coragem e determinação, têm honrado a luta das gerações que nos antecederam». Assinala-se as lutas que conduziram a vitórias importantes nos locais de trabalho (como a conquista de aumentos dos salários, as lutas pelas 35 horas na administração local, a passagem de trabalhadores com vínculos precários a efectivos, a defesa de direitos laborais e sociais e da contratação colectiva), notando que essas lutas também «têm impedido que as consequências da política de direita sejam ainda mais graves».
Valores actuais
Com a força evidenciada no 1.º de Maio, a CGTP-IN apela: «Hoje, tal como ontem, os trabalhadores precisam de combater a exploração e o empobrecimento e continuar a luta para derrotar a política de direita que foi seguida nos últimos 37 anos e retomar os valores de Abril, colocando-os no futuro de Portugal».
Para estas comemorações, a Inter definiu como lema «Abril e Maio de novo, com a força do povo», celebrando o 40.º aniversário da revolução e do primeiro Dia do Trabalhador festejado em liberdade. «Sem nostalgias, afirmamos que os anseios e aspirações dos trabalhadores e do povo, expressos naquele 1.º de Maio de há 40 anos, são elementos essenciais ao presente e ao futuro de Portugal», pois «aquilo que esteve e está em causa é a opção entre a justiça social e a perpetuação das desigualdades, entre o desenvolvimento e a estagnação económica, entre um projecto soberano e a subserviência perante as grandes potências, entre o emprego de qualidade e o desemprego, a precariedade e a emigração forçada» – disse o Secretário-Geral da CGTP-IN, ao discursar na Alameda D. Afonso Henriques, para onde conflui a grande manifestação de trabalhadores do distrito de Lisboa e de vários concelhos do distrito de Setúbal, que partiu do Martim Moniz pouco depois das 15h30, para subir uma Avenida Almirante Reis com passeios cheios de gente a aplaudir e a juntar-se ao desfile.
Arménio Carlos registou que há quem aproveite as comemorações destes 40 anos «para atacar os valores e conquistas de Abril, tendo por base uma intensa e despudorada campanha ideológica, assente no branqueamento das causas e dos responsáveis pela situação a que o País chegou. «Sendo dos trabalhadores e do povo, Abril não é dos grandes grupos monopolistas, nem das sete famílias que detinham o poder no nosso País, não é dos exploradores nem dos que subordinam a vontade popular à ditadura da finança», observou.
Num momento em que «a resposta que o Governo oferece são mais cortes e sacrifícios, mais exploração e empobrecimento», designadamente no «documento de estratégia orçamental», a CGTP-IN «apela ao povo português para que assuma, de forma clara e inequívoca, o direito de resistência a ordens ilegítimas e ilegais e desenvolva uma luta sem tréguas, que impeça a destruição de direitos fundamentais dos trabalhadores e da população».
Criticando os «consensos bafientos» por que pugna o Presidente da República, Arménio Carlos avisou: «Não é com esta política de direita nem com a alternância política que se irá atingir a almejada convergência com os países da União Europeia, que se reduzirá o desemprego e a pobreza, ou que se abrirão as portas a um presente e futuro de desenvolvimento. Portugal precisa de uma política alternativa e de uma alternativa política que responda aos grandes desafios que temos pela frente».
Nestas páginas, publicamos algumas imagens do 1.º de Maio e damos ênfase às lutas dos próximos tempos. O dia das eleições para o Parlamento Europeu vai ser transformado pela CGTP-IN num dia de luta nacional. Mas a luta dos trabalhadores não fica suspensa, ela vai continuar, nas ruas e nos locais de trabalho, encarada como factor determinante para derrotar a política de direita e defender os valores de Abril.